Nos últimos anos, os sistemas solares sofreram um aumento enorme de eficiência e o custos de produção diminuiu, esse crescimento no mercado fotovoltaico se deu de várias formas, tarifas, maturação tecnológica, além da competitividade em relação as energias convencionais.

Atualmente, o mercado fotovoltaico tem como referência nas tecnologias de silício cristalino, material extremamente abundante e com um elevado nível de maturidade tecnológica. Hoje os painéis de silício são aqueles que permitem obter os preços mais baixos de energia fotovoltaica, mas estão perto de atingir o seu limite de eficiência, porém para melhorar e eficiência é necessário usar novos conceitos de célula solar, conceito de células chamada de multijunção.

As células de multijunção são células solares formadas por várias camadas de células de diferentes materiais, em que cada uma destas camadas é especializada em absorver uma parte do espectro solar, possibilitando eficiências superiores às que se conseguem com uma célula solar convencional.

Atualmente, um dos grandes desafios da tecnologia fotovoltaica é a produção de dispositivos baseados em células de multijunção, uma das estratégias mais promissoras é a utilização de silício cristalino na produção de células de multijunção, procurando juntar a elevada competitividade das células de silício à elevada eficiência das células de multijunção.

Nas últimas décadas, Portugal tem feito uma aposta consistente na investigação científica na área do solar fotovoltaico, contando com mais de uma dezena de grupos de investigação a desenvolver trabalho nas mais diversas vertentes desta área. A comunidade fotovoltaica portuguesa está organizada através da rede PV@PT engloba os diferentes grupos de investigação e industriais que trabalham na área. Esta comunidade é dinâmica, cooperante entre si e está ligada aos melhores centros de investigação europeus.

Exemplo disso é o projeto de investigação TaCIt (1). O foco principal deste projeto é o melhoramento do desempenho ótico das células de multijunção. As células a desenvolver neste projeto têm uma arquitetura inovadora e têm o potencial de aumentar a eficiência dos painéis fotovoltaicos para valores superiores a 30% (a eficiência mais alta de um painel fotovoltaico células convencionais é de 21%).

A energia elétrica de origem fotovoltaica terá um papel crucial na necessária transição para um paradigma energético de baixo carbono. Além das condições naturais favoráveis para o aproveitamento desta forma de energia, e o fruto do grande crescimento do sector das energias renováveis nos últimos anos, Portugal possui hoje as capacidades técnicas e científicas adequadas para que uma aposta na energia fotovoltaica possa ser bem-sucedida, faltando, sobretudo as condições de mercado para concretizar os investimentos necessários neste sector.