Os resíduos nucleares estão se acumulando em todo o mundo, enquanto os países lutam para se livrar do combustível irradiado que permanecerá altamente tóxico por muitos milhares de anos, detalhou o Greenpeace em um relatório na quarta-feira.

 

Uma análise das instalações de armazenamento de lixo em sete países com energia nuclear revelou que vários estavam perto da saturação.

 

Todas essas nações também enfrentaram outros problemas que ainda precisam ser totalmente contidos: risco de incêndio, vazamento de gases radioativos, contaminação ambiental, falha de contêineres, ataques terroristas e custos crescentes.

 

“Mais de 65 anos após o início do uso civil da energia nuclear, nenhum país pode alegar que tem a solução para gerenciar os resíduos radioativos mais perigosos”, disse o especialista nuclear Shaun Burnie do Greenpeace na Alemanha e coordenador do relatório.

 

O armazenamento de material residual de reatores nucleares nas profundezas do solo – a tecnologia de armazenamento de longo prazo mais pesquisada – “mostrou grandes falhas que o excluem por enquanto como uma opção confiável”, disse ele.

 

Atualmente, há um estoque global de cerca de 250.000 toneladas de combustível altamente radioativo, distribuído em cerca de 14 países.

 

A maior parte desse combustível permanece nos chamados “pools de resfriamento” em locais de reatores que não possuem contenção secundária e permanecem vulneráveis ​​a uma perda de resfriamento. Alguns não têm uma fonte de energia de reserva.

 

O colapso parcial da usina nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, deixou claro que o risco de altas temperaturas dos reservatórios de combustível usado não é hipotético.

 

É um relatório de 100 páginas, feito por um painel de especialistas que detectaram falhas na gestão de resíduos volumosos na França, é o país que tem a segunda maior frota de reatores nucleares (58) depois dos Estados Unidos (cerca de 100).

 

“Não há solução confiável para o descarte seguro de resíduos nucleares à longo prazo na França”, disse o relatório.

 

Organismos de supervisão franceses já levantaram preocupações sobre a capacidade de grandes piscinas de resfriamento na Normandia, no local de La Hague.

 

Em resposta, a empresa Orana de energia, que administra o local, disse em um comunicado que “não há risco de saturação das piscinas em La Hague até 2030”.

 

As análises de relatórios nos Estados Unidos, mostraram um investimento de bilhões de dólares e décadas de planejamento que falharam em garantir um local de descarte geológico.

 

A instalação subterrânea da Montanha Yucca – décadas em construção – foi finalmente cancelada em 2010 pela administração Obama.

 

Apesar disso, cerca de 70% do combustível consumido nos Estados Unidos permanecem em piscinas de resfriamento vulneráveis, em muitos casos, em densidades superiores às originalmente previstas.

 

Os resíduos nucleares da mineração de urânio também são uma grande preocupação ambiental.

 

O estoque mundial de rejeitos de urânio – material arenoso que pode infiltrar-se no meio ambiente local – foi estimado em mais de dois bilhões de toneladas a partir de 2011.

 

Os outros países que fazem parte do relatório são a Bélgica, o Japão, a Suécia, a Finlândia e a Grã-Bretanha.